/“Influências globais podem ser as razões para o aumento de homossexuais no país”, diz o Sociólogo Diamantino Lopes
(ANG) – O sociólogo e analista guineense, Diamantino Domingos Lopes, admitiu hoje que as “Influências Globais” e a forma aberta como a sociedade guineense vive possam ser as razões para o aumento progressivo da homossexualidade no país.
Em entrevista exclusiva à Agência de Notícias da Guiné (ANG), Diamantino Domingos Lopes sustentou que muitos autores científicos defendem que o comportamento social é regulado por “Normas e Valores”.
Acrescenta que os mesmos atores classificaram, “Normas”, como conjunto das regras e comportamentos que inspiram os valores culturais de qualquer povo.
E que definem “Valores”, como tudo o que é útil e desejável para a convivência de uma sociedade.
“A medida que a sociedade cresce, as mudanças sociais acompanham essas evoluções sistemáticas”, disse. Diamantino Domingos Lopes.
Segundo Lopes, na sociedade tradicional, considerada rigida culturalmente, religiosamente e moralmente, a homossexualidade é rejeitada, devido a tradição e a cultura das pessoas.
“O mundo moderno é mais aberto, e permite contatos e encontros culturais entre diferentes povos, algo que influência certas pessoas a copiar outras realidades que não combinam com as suas”, disse.
A Guiné-Bissau, diz, é uma sociedade aberta, onde as relações humanas são muito amplas. “Por isso, é fácil aprender coisas fora da sua própria cultura,” disse Domingos Lopes.
O sociólogo destacou que, ao nível mundial, vários estudos foram feitos sobre o conceito de homossexualidade, e que alguns defendem que certas pessoas nascem com um determinado sexo, mas, se as suas orientações sexuais é mais forte do que o género à que pertencem, acabam por adotar o estinto manifestado.
“Outro motivo que podemos apontar também para o aumento de homossexualidade na Guiné-Bissau tem a ver com a frieza da própria sociedade guineense. Porque pessoas que escolhem viver com esse tipo de comportamento não têm pressão de ninguém, por isso se sentem confiantes e a vontade”, disse.
Segundo um homossexual que preferiu anonimato, 70 por cento dos guineenses são contra a homossexualidade na Guiné-Bissau.
“Já fui vítima de descriminação e insultos de certas pessoas que desconheço. Mas, para mim, isso não é suficiente para se afirmar que estamos perante uma sociedade menos descriminatória em relação à outras sociedades, onde os homossexuais são agredidos físicamente ou espancados até a morte”, disse o anónimo.
Revelou que, desde a sua infância, já sentia que as suas orientações sexuais estavam mais inclinadas para o lado feminino.
Questionado se alguma influência o levou a tomar essa decisão, em resposta, o nosso entrevistado recusou que tenha sido influenciado por alguém para se tornar homossexual.
“Lembro que quando eu era criança, o meu tio me batia, cada vez que me surpreender a brincar com meninas, mas a minha mãe pedia sempre para ele parar de me bater, alegando que eu era apenas uma criança na altura, e na medida que eu ia crescer, vou abandonar aquele comportamento”, disse o homossexual.
Questionado sobre o que está a motivar o crescimento de homossexuais no país, disse que muitos já vinham a esconder as suas características de homossexualidade.
“Penso que nos últimos tempos, esses individos ganharam a coragem de assumir públicamente essa identidade porque, os que não têm medo de assumir, não sentem tanta rejeição da sociedade”, disse o entrevistado.
Sobre o assunto e em declarações a ANG, a Médica e Coordenadora Nacional de Luta Contra, VIH Sida e Hepatites Virais do Ministério da Saúde Pública (MSP) Jamila Bathy disse citando a OMS, que no atual contexto, a homossexualidade já não é vista como uma doença, mas sim enquadrada numa categoria de “preferência sexual”.
“Em alguns países da Europa, já é admitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo…. as barigas de aluguer, para permitir que os mesmos possam ter filhos,” disse a médica.
Jamila referiu que não existe nenhuma lei no país que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas que acredita que a falta de barreira à informações e a total liberdade fronteiriça são factores que estão a contribuir para o aumento de homossexuais na Guiné-Bissau.
“Mesmo nas sociedades mais rígidas a predominância de informações consegue moldar essas sociedades e obrigá-las a aceitar certas culturas contrárias as suas. Acredito que o excesso de informações influência pessoas a optar por imitações ou curiosidade de certas culturas que, por vezes, acabam por não ajudar”, disse Jamila Bathy.
Questionada sobre que perigo o aumento progressivo de homossexualidade pode trazer para o país, Bathy disse que, de ponto de vista médico, o envolvimento sexual entre homens é muito perigoso devido os riscos de infeção e transmisão sexual.
“Porque praticam o sexo anal, e este tipo de sexo é considerado de risco, portanto, essas pessoas devem ser detetadas e submetidas à um tratamento específico pelos técnicos de área, para reduzir o risco dessa infecção”, disse Jamila Bathy.
Segundo aquela responsável, é importante que as autoridades competentes do país comecem a dar atenção e importância à esta situação, promovendo campanhas de sensibilização nas comunidades.
“Tomei parte num trabalho realizado pela Organização Humanitária Internacional (PLAN) e o Ministério da Saúde Pública (MSP), sobre a “Educação Sexual Compreensiva”, um trabalho do Ministério da Saúde que devia ser introduzida no currículo escolar das crianças, e em algumas disciplinas, para permitir que os alunos começassem, de pequeno, a aprender sobre essa matéria ”, disse Bathy.
Para ela, o mesmo deve ser feito nos ensinos infomais, nomeadamente, djumbai de tabanca, para permitir que as mães que escondem as verdadeiras identidades dos filhos, possam ser sensibilizadas para denunciar.
“O padrão normal reconhecido mundialmente é o casamento entre o homem e a mulher. Apesar de a sociedade guineense rejeitar esse fenómeno, as pessoas devem entender que os Direitos Humanos de cada cidadão deve ser respeitado, e este assunto deve ser tratado com muita delicadeza e não com a violência”, disse a Coordenadora.
Nos últimos anos, a Guiné-Bissau tem se deparado com um aumento progressivo de evidências de homossexualidade, em plena luz do dia, abrangendo pessoas de idade compreendido entre 20 e 30 anos. Dados estatísticos concretos sobre essa franja da população não são de conhecimento público. ANG/LLA/ÂC//SG