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Médio Oriente/Houthis atacam dois navios sauditas no Mar Vermelho e abrem nova frente

Médio Oriente/Houthis atacam dois navios sauditas no Mar Vermelho e abrem nova frente

(ANG) – Os rebeldes houthis do Iêmen reivindicaram na quarta-feira (22) ataques contra dois navios petroleiros sauditas no Mar Vermelho.

Após vários dias de ameaças, os insurgentes xiitas, abriram oficialmente uma nova frente na guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que continua a se expandir pelo Oriente Médio.

Em comunicado publicado no Telegram, os houthis, aliados do Irã, indicaram ter realizado “uma operação militar de grande impacto contra dois petroleiros sauditas que violaram o bloqueio”, identificando as embarcações como Encelia e Layla. Segundo a agência de notícias estatal da Arábia Saudita, a tripulação saiu ilesa.

Desde o início desta semana, os insurgentes do Iémen tomaram o controle do Estreito de Bab el-Mandeb , ao sul do Mar Vermelho, rota tão crucial para o transporte de energia como o Estreito de Ormuz. A passagem no sudoeste do Iêmen é obrigatória para os navios que seguem em direção ao Canal de Suez, que leva à Europa.

Em crítica à atuação militar da Arábia Saudita no Iémen, onde Riad lidera há anos uma intervenção contra o movimento armado xiita houthi, os rebeldes já haviam manifestado, no início desta semana, a intenção de bloquear as exportações de petróleo saudita que transitam pelo Estreito de Bab el-Mandeb. Paralelamente, o Irã solicitou aos houthis que se mantivessem prontos para fechar a passagem caso os Estados Unidos concretizassem a ameaça de destruir a infraestrutura energética iraniana.

Antes dos ataques de quarta-feira, cinco petroleiros tiveram de alterar suas rotas para evitar a passagem pelo Mar Vermelho, a exemplo de outras embarcações na terça-feira (21).

Os ataques contra os petroleiros sauditas ocorreram no momento em que os estados Unidos lançaram uma nova onda de bombardeamentos contra alvos militares iranianos, na décima segunda noite consecutiva de hostilidades contra Irã. As forças americanas bombardearam com mísseis a cidade de Bushehr, onde fica a única usina nuclear iraniana em funcionamento.

Além disso, duas pessoas foram mortas e 11 ficaram feridas por um ataque americano em Shalamcheh, na fronteira com o Iraque. Outros bombardeios foram registrados em Ahvaz, assim como explosões em Sirik, próximo ao Estreito de Ormuz, de acordo com a mídia estatal iraniana.

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica do Irã, afirmou nesta quinta-feira (23) ter destruído, na Jordânia, um radar americano associado ao sistema antimísseis THAAD (Terminal High Altitude Area Defense), além de provocar um incêndio em um hangar de manutenção de helicópteros. Desenvolvido pelos Estados Unidos para interceptar mísseis balísticos, o THAAD integra, ao lado do sistema Patriot, a rede de defesa aérea americana na região.

No Kuwait, o Exército iraniano afirmou ter atacado, com drones, três alvos americanos: os depósitos de munição e logística do acampamento Doha, os reservatórios de combustível da base Ali al-Salem e o depósito de munições do acampamento Arifjan.

A ampliação do conflito reforça a preocupação com o fornecimento de petróleo e gás no mundo. O bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb elevou os preços do petróleo e aumenta a pressão sobre o presidente americano, Donald Trump, para encontrar uma saída para o conflituantes das disputadas eleições antes das disputadas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em Novembro.

Na rede social Truth Social, o líder republicano reforçou suas ameaças. “Toda vez que a República Islâmica do Irã atacar uma embarcação no Estreito de Ormuz, seja com mísseis, drones ou qualquer outro tipo de arma ou munição, os Estados Unidos bombardearão e destruirão uma ponte ou uma usina de energia”, escreveu.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu que seu país dará uma resposta contundente caso suas infraestruturas civis sejam atacadas. “Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho. Qualquer ataque contra o Irã, incluindo nossas infraestruturas, provocará uma resposta contundente e decisiva”, afirmou Araghchi na rede social X.

No entanto, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, assegurou que Washington continua disposto a buscar uma solução diplomática com o Irã. “Continuamos abertos a resolver isso por meio da negociação. Mas, por enquanto, eles não parecem interessados”, declarou Rubio durante uma reunião de ministros do Sudeste Asiático, em Manila.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, confirmou que os contatos diplomáticos com Washington continuam.

ANG/RFI com agências

 

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