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ONU/Começa sabatina dos quatro candidatos à sucessão de António Guterres

ONU/Começa sabatina dos quatro candidatos à sucessão de António Guterres

(ANG) – O segundo mandato de António Guterres como secretário-geral da ONU termina no fim deste ano, mas a corrida por sua sucessão já começou.

As audiências públicas com os quatro candidatos têm início nesta terça-feira (21), em Nova York, e acontecerão ao longo de dois dias.

Esta é a segunda vez que a ONU organiza uma sabatina dos candidatos ao cargo de secretário-geral. As audiências públicas foram implementadas em 2016 com o objetivo de dar mais transparência ao processo.

Cada candidato terá três horas para responder às perguntas de representantes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas e da sociedade civil. Até o momento, quatro concorrentes já se declararam: a chilena Michelle Bachelet, o argentino Rafael Grossi, a costarriquenha Rebecca Grynspan e o senegalês Macky Sall.

Eles têm em comum a ambição de reformar a estrutura da ONU, que atravessa um período de crise do multilateralismo, com a confiança abalada e à beira de dificuldades financeiras.

Muitos Estados defendem que, pela primeira vez, uma mulher assuma o comando da ONU, e a América Latina reivindica o cargo com base na tradição de rotação geográfica, que nem sempre é respeitada.

No entanto, são os integrantes do Conselho de Segurança, mais precisamente os cinco membros permanentes com poder de veto (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França), que realmente detêm o futuro dos candidatos em suas mãos.

O próximo secretário-geral deverá estar alinhado com “os valores e os interesses americanos”, advertiu o embaixador dos Estados Unidos, Mike Waltz.

Michele Bachelet é uma das candidatas favoritas.. A ex-presidente socialista do Chile tem ampla experiência no sistema das Nações Unidas. Ela foi a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres entre 2010 e 2013 e, posteriormente, atuou como alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 2018 a 2022.

No entanto, essa experiência pode ser tanto uma vantagem quanto um obstáculo. A atuação de Bachelet à frente do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos foi alvo de críticas.

A China reagiu duramente à publicação de um relatório contundente sobre a situação da minoria uigur e poderia vetar sua nomeação.

A candidatura de Bachelet conta com o apoio do México e do Brasil, mas seu próprio país, o Chile, retirou o apoio após a posse do novo presidente de extrema direita, José Antonio Kast.

Em seguida, aparece o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), um dos principais especialistas do dossiê sobre o programa nuclear iraniano. Ele também se destacou durante a guerra na Ucrânia ao lidar com questões de segurança relacionadas à usina nuclear de Zaporizhzhia.

Aos 65 anos, o diretor-geral da AIEA afirma ter a ambição de reformar a ONU. “As Nações Unidas perderam sua razão de existir”, lamenta. Para ele, a instituição tornou-se “invisível” em muitos conflitos.

A segunda mulher na disputa, Rebecca Grynspan, afirma conhecer bem as crises, inclusive as financeiras. A economista de 70 anos, ex-ministra da Fazenda e ex-vice-presidente da Costa Rica, dirige desde 2021 a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.

Ao citar sua história pessoal, como filha de pais judeus sobreviventes do Holocausto que emigraram para a América Central, ela destaca seu apego à Carta da ONU, fundada após a Segunda Guerra Mundial. Segundo Grynspan, o documento é “um alerta permanente contra os perigos da desumanização, da desconfiança e da fragmentação”.

Por fim, Macky Sall, de 64 anos, será o último a ser sabatinado. O ex-presidente do Senegal é o único candidato que não vem do sistema das Nações Unidas. Em termos de experiência, ele ocupou, durante seu mandato, a presidência rotativa da União Africana.

Sall afirma manter contatos com líderes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. No entanto, não é unanimidade dentro do continente africano. O ex-presidente senegalês não conta com o apoio da União Africana nem de seu próprio país.

O vencedor irá assumir o comando da ONU em 1º de Janeiro de 2027,no lugar do português António Guterres.ANG/RFI

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