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Presidente da República considera confrontos armados tentativa de “golpe de Estado” e promete “consequências graves”

Presidente da República considera confrontos armados tentativa de “golpe de Estado” e promete “consequências graves”

(ANG) – O Presidente da República considerou os confrontos armados do dia 01 de Dezembro, uma “tentativa de golpe de Estado” e afirma que haverá consequências graves para todos os implicados.  anunciou uma comissão de inquérito para apurar responsabilidades.

Úmaro Sissoco Embaló falava à imprensa no sábado, à chegada ao aeroporto de Bissau, depois de uma semana ausente do país em visitas oficiais a Roma, Timor Leste e Dubai, para participar na COP28.

O Presidente da República anunciou que “segunda-feira, haverá uma comissão de inquérito” e reiterou que “a Guiné-Bissau não pode viver mais em teatro”.

“Alguém disse que conhece Suleimane Seidi, pode conhecê-lo há mil anos. Quem pariu Mamadu Embaló, meu pai, Cadidjatu Seidi, é também avó de SuleimaneSeidi”, explicou, afirmando que desta vez o império da lei deve funcionar.

O chefe de Estado evocou a frase do antigo presidente  Kumba Yalá e que vivemos em paz ou morremos todos, frisando que, é desta vez. 

“Tchongo foi a mando de alguém. Tchongo não é doido para rebentar as celas da Polícia Judiciária e retirar o ministro das Finanças e o Secretário de Estado”, disse.

 “O teatro acabou”, insistiu o chefe de Estado, frisando que “toda a gente que está implicada nesta tentativa vai pagar caro”.

Sissoco Embaló disse ainda que “há indícios”, incluindo escutas telefónicas, de que “esse golpe” não é de agora, que “foi preparado antes de 16 de novembro”, o dia da comemoração oficial dos 50 anos da independência da Guiné-Bissau, organizada pela Presidência da República.

O chefe de Estado guineense insistiu que “não se faz golpe ao Presidente da Assembleia, nem ao primeiro-ministro, só se faz ao chefe de Estado, que é comandante supremo das Forças Armadas”.

O presidente lembrou a tentativa de golpe de Estado de 01 de fevereiro de 2022 para vincar que já tinha dito àqueles que consideraram que “fizeram teatro” nessa ocasião e “disseram que era inventona”, que não voltaria a repetir-se.

O presidente da República defendeu que “o império da lei tem que funcionar na Guiné-Bissau” e disse que se a Procuradoria-Geral da República deixar de ser o advogado do Estado, ele próprio está “disponível para fazer isso” e evitar que o país caia “num colapso”.

“Se eu vou ser sacrificado é dessa vez”, afirmou.

Sissoco Embaló afirmou que “todos sabem quem são” os autores do “golpe”, referindo a seguir que “não há casa de ninguém atacada”, numa alusão à denúncia do presidente da Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira, de que a residência tinha sido cercada e alvejada, com o próprio em casa.

O Presidente convidou os jornalistas a irem “a casa das pessoas ver se foram atacadas, se uma única casa” foi atacada.

À pergunta sobre o alegado envolvimento do Presidente da República nos acontecimentos de sexta-feira, respondeu: “envolvimento como? Será que vou dar golpe a mim próprio?”

Sobre o envolvimento das tropas da Presidência nos confrontos defendeu que “um dos papéis do batalhão da Presidência da República é manter e coadjuvar o Estado-Maior General, é assim que funciona”.

“O batalhão da Presidência da República, no nosso sistema ou no estatuto de Defesa Nacional, é para proteger o Presidente República”, frisou.

Na madrugada e na manhã de sexta-feira, 01 de Dezembro, o batalhão da guarda presidencial e a Polícia Militar atacaram o comando da Guarda Nacional para retirar o ministro da Economia e Finanças, Suleimane Seidi, e o secretário de Estado do Tesouro, António Monteiro.

Os dois governantes foram levados pela Guarda Nacional que os retirou das celas da Polícia Judiciária, onde estavam em prisão preventiva por ordens do Ministério Público que os investiga no âmbito de um processo de pagamento de dívidas a 11 empresas.

Do ataque ao quartel da Guarda Nacional resultaram dois mortos, a retirada dos dois governantes, que foram novamente conduzidos às celas da PJ e ainda a detenção do comandante da corporação, coronel Vítor Tchongo, e mais alguns elementos.ANG/ÂC

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