Reino Unido/Saída de bancos europeus de África criou oportunidades para banca regional – Fitch
(ANG) – A agência de notação financeira Fitch Ratings considera que os bancos africanos têm reagido bem à saída de vários bancos europeus do continente nos últimos anos, c criando “oportunidades significativas” para estas instituições financeiras regionais.
“A retirada dos bancos europeus de África ao longo da última década está a acelerar a ascensão dos bancos pan-africanos e regionais, que estão a adquirir antigas subsidiárias europeias e a expandir as suas operações transfronteiriças”, escreve a Fitch Ratings numa análise ao setor da banca em África.
Esta transição, lê-se no relatório enviado aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, “cria oportunidades de crescimento significativas, uma vez que os bancos regionais tiram partido do seu profundo conhecimento da dinâmica dos setores locais e dos ambientes empresariais, ao mesmo tempo que utilizam as suas redes regionais para impulsionar a expansão e apoiar o crescimento” na região.
No entanto, acrescentam, esta consolidação “também introduz novos riscos, uma vez que as instituições sucessoras podem enfrentar uma maior exposição a ambientes operacionais desafiantes e um acesso mais limitado ao financiamento em moeda forte”.
A redução substancial da presença dos bancos europeus em África marcou uma mudança estrutural no panorama financeiro do continente, na sequência da introdução de regulamentações mais rigorosas sobre o capital, custos de ‘compliance’ mais elevados e redução do lucro na região, escreve a Fitch Ratings.
Esta retirada, realça agência de notação financeira, é particularmente relevante no caso dos grandes grupos bancários francesas, como o Crédit Agricole, Société Générale e BNP Paribas.
O corte do ‘cordão umbilical’ com os acionistas europeus levou a algumas descidas do ‘rating’ destas entidades devido à falta de apoio financeiro da casa-mãe, mas a Fitch considera que, ainda assim, “os perfis de crédito autónomos destas subsidiárias têm-se mantido, em geral, resilientes, apoiados por padrões de governação e práticas de gestão de risco mantidos”.
A Fitch espera que a presença europeia em África se desloque cada vez mais para modelos baseados em parcerias, incluindo cooperação em matéria de financiamento comercial e acordos de partilha de risco, permitindo uma presença contínua nos mercados africanos, mas reduzindo os encargos de capital e com as regras de ‘compliance’, ou seja, conformidade com a regulamentação do país de origem do detentor do capital.
“A regionalização em curso do setor bancário africano deverá reformular a concorrência, aprofundar a inclusão financeira e acelerar o crescimento do crédito em todo o continente”, concluem os analistas da Fitch. ANG/Inforpress/Lusa