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Educação / Conferência Nacional sobre Educação recomenda reformas urgentes e mais investimento no setor educativo

Educação / Conferência Nacional sobre Educação recomenda reformas urgentes e mais investimento no setor educativo

(ANG) – Os participantes da primeira Conferência Nacional sobre Educação recomendaram reformas profundas do sistema educativo guineense e  um compromisso do Estado para enfrentar os desafios estruturais que afetam o setor.

O encontro decorreu quinta-feira durante todo o dia  sob o lema: “Por uma Educação de Qualidade, Inclusiva e Participativa”, reunindo representantes da Plataforma das Associações Estudantis, diretores de escolas, inspetores e outros atores ligados ao ensino.

No final dos trabalhos, os participantes aprovaram a Declaração Final da Primeira Conferência sobre Educação, documento que apresenta um diagnóstico crítico sobre a situação atual do ensino na Guiné-Bissau e propõe um conjunto de medidas para a refundação do sistema educativo nacional.

Segundo a Declaração Final, o estado atual da educação reflete desafios históricos e estruturais que exigem uma ação urgente e coordenada.

Os conferencistas identificaram graves desigualdades sociais, regionais e económicas no acesso ao ensino, afetando crianças, jovens, raparigas e estudantes das zonas rurais e de famílias em situação de vulnerabilidade.

Alertaram  para o comprometimento da qualidade do ensino e da aprendizagem, devido  a insuficiência de professores,  escassez de materiais pedagógicos,  instabilidade recorrente do calendário escolar,  fragilidade da fiscalização pedagógica e  limitada valorização social da carreira docente, fatores que, segundo afirmam, contribuem para a desmotivação dos profissionais do setor.

Outro ponto destacado foi a exclusão dos estudantes dos espaços de diálogo e de tomada de decisão sobre as políticas educativas.

Para os conferencistas, apesar de serem os principais beneficiários do sistema, os estudantes continuam sem participação ativa na definição do futuro da educação nacional.

A conferência também identificou  a desconexão entre o sistema educativo e as necessidades reais do mercado de trabalho e do desenvolvimento sustentável, e recomenda  maior aposta na formação técnica e profissional, bem como no empreendedorismo jovem, como forma de impulsionar a transformação económica do país.

Os participantes denunciaram  a corrupção endémica, a má gestão dos escassos recursos destinados ao setor e a persistente instabilidade política como fatores que comprometem qualquer avanço significativo na educação.

Os conferencistas reafirmaram que a educação deve ser encarada como um direito humano fundamental e não como privilégio de uma elite ou instrumento de manipulação política.

Defenderam uma educação inclusiva, assente na igualdade de oportunidades, na justiça social e na qualidade da aprendizagem, alinhada com os princípios e metas globais promovidos pela UNESCO e pelo UNICEF.

Entre as principais recomendações  apresentadas ao Estado guineense constam o aumento progressivo do orçamento destinado ao setor da educação, a implementação imediata de um plano nacional para construção e reabilitação de escolas, a valorização dos professores através de formação contínua e incentivos pedagógicos  e a adoção de mecanismos rigorosos para garantir transparência na gestão dos fundos públicos.

Os participantes pediram o reconhecimento formal das associações estudantis e a sua integração nos espaços de diálogo e de tomada de decisões sobre políticas educativas.

Ao presidir ao encerramento da conferência, o ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, Mamadu Badji, prometeu trabalhar em parceria com a Plataforma das Associações Estudantis e com os parceiros técnicos e financeiros para responder, a curto, médio e longo prazo, às preocupações levantadas durante o encontro.

Mamadu Badji felicitou os organizadores pela visão estratégica e pelo compromisso cívico demonstrado, destacando que a juventude guineense continua a afirmar-se como uma força transformadora essencial para o desenvolvimento sustentável do país.

O governante sublinhou que a conferência demonstrou que a educação continua a ser uma das principais forças mobilizadoras para a transformação social, o reforço da estabilidade institucional, a promoção do desenvolvimento económico e a consolidação da paz na Guiné-Bissau.

A abertura da conferencia foi presidida pelo Primeiro-ministro de transição, que na ocasião  prometeu dignificar os profissionais dos sectores da educação e saúde.‎

‎‎‎Ilídio Vieira Té disse que o desenvolvimento de qualquer país depende da valorização dos setores sociais, nomeadamente o sector de  educação e da saúde.‎

‎O chefe do executivo apelara aos participantes da conferência para analisarem de forma séria, sem tabu,  a atual situação do ensino guineense, e declarou  que o Governo aguarda  as recomendações saídas do encontro para  sua  implementação, a medida do possível. ANG/LPG//SG

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