PAM alerta para possibilidades de agravamento da insegurança alimentar na Guiné-Bissau devido a falta de financiamento
(ANG) – O Programa Alimentar Mundial (PAM) alertou para possibilidades de agravamento da insegurança alimentar e nutricional na Guiné-Bissau devido a redução de financiamentos destinados à programas essenciais de apoio às populações mais vulneráveis, sobretudo crianças em idade escolar e menores de dois anos.
O alerta foi lançado durante a sessão “Matabitchu ku PAM”, “Pequeno Almoço com PAM”, em português.
Matabitcho Ku PAM é um encontro de partilha e diálogo com os órgãos de comunicação social, promovido no âmbito das atividades de comunicação da organização, com o objetivo de reforçar a colaboração com os média e a sensibilização sobre os desafios ligados à segurança alimentar, nutrição e resiliência no país.
Segundo dados apresentados pelo PAM, cerca de 22 por cento da população guineense encontra-se subalimentada, enquanto uma em cada três crianças menores de cinco anos sofre de desnutrição.
A organização estima que mais de 120 mil pessoas poderão enfrentar situações de fome nos próximos meses, devido a choques climáticos, pressões económicas e instabilidade que afectam a produção e o acesso aos alimentos.
Apesar do contexto desafiante, o PAM conseguiu apoiar mais de 300 mil pessoas com assistência alimentar e financeira em 2025, representando um aumento de 13 por cento em comparação com o ano anterior.
Segundo Mahamane Badamassi, representante interino da organização, a insuficiência de recursos está a obrigar a organização a reduzir significativamente as suas intervenções. O programa de cantinas escolares, por exemplo, sofreu uma redução de 283.400 para 152 mil crianças beneficiárias, deixando cerca de 130 mil crianças fora do sistema de alimentação escolar.
Segundo o representante interino e director adjunto, esta situação poderá comprometer a permanência de muitas crianças nas escolas, uma vez que a alimentação escolar representa, para muitas famílias, um incentivo essencial à frequência das aulas.
Badamassi revelo que a Organização necessita de 1,4 milhões de dólares para garantir a continuidade do programa de cantinas escolares até ao final deste ano.
Outro efeito da insuficiência de financiamento apontado por Mahamane Badamassi é a suspensão da distribuição de alimentos nutritivos especializados, destinados à crianças com menos de dois anos, uma medida que se diz poder aumentar os riscos de problemas de crescimento e de saúde entre as crianças.
Apesar das limitações, o PAM assegura que continuará a promover campanhas de sensibilização junto das comunidades sobre boas práticas alimentares e nutricionais.
Para manter os seus programas de alimentação escolar, nutrição e proteção social nos próximos seis meses, o PAM estima que precisa de cerca de 7 milhões de dólares.
Mahamane Badamassi adverte que, sem investimentos sustentáveis e maior atenção, a situação poderá agravar-se, especialmente nas zonas rurais, sobretudo devido à crises internacionais, incluindo conflitos no Médio Oriente, que influenciam os preços dos combustíveis e dos alimentos importados.
O representante interino e Director Adjunto Mahamane Badamassi, apela à imprensa nacional para continuar a dar visibilidade à realidade das comunidades guineenses, considerando a comunicação um instrumento essencial para mobilização de apoios na luta contra a fome no país.
“Sem o apoio da imprensa, muitos destes problemas permanecem invisíveis e dificilmente encontrarão soluções”, afirmou.
Sublinhou que a Guiné-Bissau continua a ser um dos países menos mediatizados e, consequentemente, com menor acesso ao financiamento.
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