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Apicultura: Perito guineense aconselha governo a criar lei que regula setor, visando seu desenvolvimento

Apicultura: Perito guineense aconselha governo a criar lei que regula setor, visando seu desenvolvimento

“Por Queba Coma – Correspondente da ANG em Portugal”

(ANG) “Para que a Guiné-Bissau produza o mel em quantidades e qualidades competitivas com os países mais avançados no domínio, é fundamental que as autoridades criem legislação que balize o setor da apicultura e uma instituição vocacionada, com instrumentos, para definir, coordenar e implementar políticas e estratégias viradas para proteção de abelhas e produção de mel.

A exortação é do Secretário Executivo da Plataforma Nacional de Apicultura da Guiné-Bissau, Adolfo Gomes Sá, em declarações ao correspondente da ANG em Portugal, no âmbito da celebração, esta quarta-feira, 20 de maio, do Dia Mundial das Abelhas, sob lema: “Abelhas juntas pelas Pessoas e pelo Planeta – Uma Parceria que Sustenta Todos Nós”.

Conforme este técnico de apicultura, também, deve-se criar as condições para organizar, em termos de associações, os diferentes intervenientes neste domínio, para que haja uma cadeia estruturada entre os grupos de interesses.

“Para além de apicultores, deve existir, por exemplo, classes de alfaiates treinados para confecionar os respetivos fatos (em vez de virem da República de Canada), artesões para fabricar as ferramentas como fumigador, carpinteiros para construir as colmeias, até as categorias dos pesquisadores, comunicadores e comerciantes”, detalhou.

Abordado se a flora e as espécies das abelhas guineenses oferecem as condições naturais para a produção de mel em quantidade e em qualidade apreciáveis, este antigo Diretor do Projeto de Apoio à Apicultura na Região de Gabú (leste do país) afirmou que, não obstante, os fenómenos negativos devidos as mudanças climáticas, a Guiné-Bissau tem árvores, por exemplo, mangrofe (tarrafes), clima propício e de melhores abelhas para uma excelente produção de mel e derivados como sabonete, creme ou vela.

Contudo, aconselha os apicultores a se modernizarem neste ramo de atividade, ou seja, a preferirem, por exemplo, as atuais colmeias “dandam africana” ou “langhorts”, em detrimento das atuais quenianas e conhecerem e aplicarem as novas tecnologias ligadas a esta matéria.

Questionado sobre estado do funcionamento da Plataforma Nacional da Apicultura da Guiné-Bissau, este responsável assegurou que a mesma está quase inoperante, “devido a falta de sensibilidade ou desconhecimento dos sucessivos governantes que tutelaram a área, da importância do setor apícula para a segurança alimentar e o emprego de milhares de guineenses.

“Depois da criação e eleições dos órgãos da Plataforma em 2018, elaboramos um Plano de Ação que, entre outros, prevê fazer um levantamento, a nível nacional, das potencialidades do país para, de seguida, elaborar uma proposta de projeto que será submetida à União Africana e União Europeia, para possível financiamento. Mas houve estrangulamento por parte das autoridades”, explicou.

Em jeito de incentivar a aposta no setor da apicultura, Adolfo Gomes Sá afirma que, em média, um litro de mel custa 1500 Francos CFA. Este preço, segundo as suas palavras, pode ser três vezes superior ao da castanha de cajú, principal produto de exportação do país.

A República da Guiné-Bissau, país de clima tropical situado na Costa Ocidental de África, segundo este perito, tem a sua maior produção do mel nas regiões de Gabú e Bafata, zona leste. FIM/QC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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