China/Políticas, abertura e plataformas fortalecem cooperação comercial China-África
(ANG) A praça comercial de Changsha, a capital da Província de Hunan, no centro da China, virou atração para milhares de consumidores de produtos africanos .
Uma cliente experimenta uma loção corporal feita com manteiga de karité originária do Mali, de textura branca cremosa e fragrância adocicada.
“Graças à política chinesa de tarifa zero, os custos das matérias-primas caíram entre 20% e 25%, e repassamos essa economia diretamente aos consumidores”, disse Zuo Dongnan, que há anos atua no comércio entre a China e o Mali. Segundo ele, a empresa importa cerca de 300 mil toneladas de matérias-primas por ano, e o volume continuará crescendo.
Desde 1º de Maio deste ano, a China ampliou o tratamento de tarifa zero para todos os 53 países africanos com os quais mantêm relações diplomáticas. Para os países africanos de língua portuguesa, essa política abre novas possibilidades.
Na Guiné-Bissau, os produtos como castanha de caju, pescado, e gergelim podem se beneficiar do tratamento tarifário favorável. Segundo Lassana Fati, diretor-geral do Comércio Externo do Ministério do Comércio e Indústria da Guiné-Bissau, como a agricultura é um pilar da economia guineense e está ligada ao sustento de muitas famílias, a ampliação do acesso ao mercado chinês é vista como uma oportunidade para conectar melhor a produção local à demanda chinesa, atrair investimentos, aumentar a competitividade e apoiar a redução da pobreza.
Lassana escreveu em um artigo que a política de tarifa zero da China representa uma medida prática de apoio económico, capaz de ajudar o país a transformar a sua riqueza em recursos, em vantagens de desenvolvimento. Segundo ele, a Guiné-Bissau está disposta a aprofundar a cooperação econômica e comercial com a China e compartilhar oportunidades de desenvolvimento.
Em 8 de junho, durante um encontro entre a embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, e o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, Roberto Mito Albino, Albino elogiou as relações entre Moçambique e a China e os resultados da cooperação agrícola entre os dois países, agradecendo o apoio de longa prazo da China ao desenvolvimento agrícola de Moçambique e manifestando a disposição de fortalecer o diálogo sobre políticas e a cooperação prática, a fim de promover a entrada de mais produtos moçambicanos de alta qualidade no mercado chinês.
Para que os benefícios da tarifa zero se convertam efetivamente em comércio, é necessário também reduzir barreiras técnicas e facilitar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês. O comércio internacional de produtos agrícolas envolve exigências de inspeção e quarentena.
Para facilitar a entrada de produtos africanos no mercado chinês, a Província de Hunan lançou sistemas pioneiros de avaliação prévia para alimentos africanos exportados à China. O mecanismo permite que especialistas chineses revisem padrões de produção e processamento antes do embarque, encurtando o período de inspeção e ajudando pequenos exportadores africanos a ajustar processos com antecedência.
Os resultados são visíveis. Em 2025, as importações de Hunan provenientes da África cresceram 27,2%, atingindo 30,92 bilhões de yuans (US$ 4,56 bilhões). Os consumidores chineses agora desfrutam dos abacaxis frescos do Benin, dos grãos de café da Etiópia e dos grãos de cacau de Uganda, enquanto se espera que as importações de nozes de macadâmia da África do Sul e de abacates do Quênia continuem aumentando.
Além da facilitação comercial, a construção de plataformas permanentes de cooperação tornou-se outro fator importante para aprofundar os laços econômicos e comerciais entre China e África. Em Changsha, um pavilhão de exposição permanente no Grande Mercado de Gaoqiao reúne produtos de todos os 53 países africanos com relações diplomáticas com a China. O local abriga também centros de serviços, incluindo um escritório de ligação para instituições empresariais China-África, oferecendo serviços comerciais durante todo o ano.
Como sede permanente da Exposição Econômica e Comercial China-África (CAETE, em inglês), Hunan facilitou a assinatura de 512 projetos, no valor total de US$ 64,71 bilhões, ao longo de quatro edições do evento. O comércio da província com a África tem se mantido acima de 50 bilhões de yuans há vários anos consecutivos.
Aproveitando a CAETE e a zona-piloto para cooperação econômica e comercial aprofundada entre a China e a África, a Província de Hunan pretende atingir 100 bilhões de yuans em comércio anual com a África até 2028 e fomentar mais de 150 empresas, cada uma com volume de negócios superior a 100 milhões de yuans no comércio com a África, afirmou Shen Yumou, diretor do Departamento de Comércio da Província de Hunan, durante uma visita a Angola, acrescentando que ele espera que os dois lados reforcem a coordenação em áreas como construção de infraestrutura, desenvolvimento de novas fontes de energia e cooperação agrícola, a fim de explorar em conjunto os modelos de cooperação mutuamente benéficos.
A Província de Hunan fortalecerá a inovação institucional e a integração de políticas, explorará ativamente novas formas, modelos e mecanismos de negócios para a cooperação econômica com a África e ampliará novas formas de comércio de troca, ao mesmo tempo que promoverá o desenvolvimento integrado da produção, do processamento e do comércio, disse Shen Xiaoming, secretário do Comitê Provincial de Hunan do Partido Comunista da China.ANG/ Xinhua