“Crianças são as que mais sofrem com as alterações climáticas”, diz ministro do Ambiente
(ANG) – O ministro do Ambiente e Ação Climática disse hoje que as crianças são as que mais sofrem com os efeitos negativos das alterações climáticas, por não terem a capacidade de reacção que um adulto tem.
Carlos Pinto Pereira falava na abertura do ateliê de Consulta sobre o Mecanismo de Financiamento Climático para Crianças da África Ocidental (CF4C-WA).
Pinto Pereira acrescentou que os meninos mais sofrem porque as alterações climáticas atingem, de forma imediata, escolas, centros de saúde, hospitais, diminuindo de uma forma drástica, a capacidade de defesa das crianças.
“Por isso, as crianças devem ter uma atenção especial quando vamos ordenar as prioridades nacionais relativamente as açoes, quer de mitigação quer de adaptação deve-se ter um cuidado especial para que os projectos que podem atingir de forma directa as crianças, tenham uma atenção especial, sem contudo descuidar do resto”, disse.
Segundo ele, exercícios como estes ateliês servem para isso, para que se faça uma ordem de prioridades, uma vez que nem tudo pode ser feito ao mesmo tempo.
O governante disse que não interessa ter muitos projetos, mas ter sim, projetos que possam ser facilmente financiados e para isso há critérios que devem ser seleccionados.
Pereira disse que é uma obrigação prever nos projectos, a realização de obras concretas que vão ajudar a fazer face aos impactos negativos das alterações climáticas, colocando nas prioridades além das ações de formações, que tenha um corpo para sua implementação.
Por seu turno, o Representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância Inussa Kabouré salientou que a crise climática é acima de tudo uma crise dos direitos das crianças.
Kabouré disse que na Guiné-Bissau, as alterações climáticas já não constituem ameaça futura, são uma realidade que afeta, diariamente, a saúde, educação , nutrição e bem-estar das crianças.
“As inundações, as secas, subidas dos níveis do mar e as ondas do calor extremo ameaçam a vida e o futuro de cerca de meio milhão de crianças na Guiné-Bissau, de acordo com a avaliação dos riscos climáticos para as crianças 2024”,disse.
Kabouré defendeu ação urgente, e diz que que proteger as crianças dos impactos da crise climática, não é apenas uma responsabilidade ambiental, mas sim, um investimento estratégico no capital humano, desenvolvimento sustentável e no futuro da Guiné-Bissau.
Segundo ele, é por isso que se realiza o ateliê para se reflectir sobre a forma como os recursos e mecanismos de financiamento climáticos podem responder melhor as necessidades das crianças, que são o segmento mais vulnerável da população.
Inussa Kabouré disse que a sua organização vai continuar a apoiar a Guiné-Bissau no seu processo de desenvolvimento como tem vindo a fazer a já 50 anos.
A inciativa CF4C-WA é promovida a nível internacional numa parceria entre o Banco Oeste Africano de Desenvolvimentp, (BOAD) e o Unicef, e visa apoiar os países da África Ocidental na mobilização de financiamento climático sensível ás crianças, através da identificação de prioridades nacionais ,zonas vulneráveis e oportunidades de investimento que contribuam para reforçar a resiliência das crianças, famílias e comunidades mais expostas aos impactos das alterações climáticas.
Durante todo o dia de hoje, os cerca de 30 participantes oriundos de diferentes áreas sociais vão apresentar à iniciativa da CF4C-WA os seus contributos técnicos e institucionais para a definição das prioridades nacionais e oportunidades de financiamento climático sensível ás crianças na Guiné-Bissau. ANG/MSC/ÂC//SG