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ONU/Peritos  tornam a apontar papel do Ruanda no conflito no leste da RDC

ONU/Peritos  tornam a apontar papel do Ruanda no conflito no leste da RDC

(ANG) – Peritos mandatados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas apresentaram o seu relatório sobre a RDC em  que se fala das violências dos grupos rebeldes activos no leste do país, e  deram conta do papel possivelmente desempenhado pelo Uganda.

O documento  fornece igualmente mais dados sobre a participação activa das tropas ruandesas e sobre o recrutamento de menores neste conflito.

No seu novo relatório, os peritos da ONU estimam que oficiais ruandeses tomaram na prática “o controlo e a direcção das operações do M23”, movimento rebelde que Kinshasa acusa há anos de ser apoiado por Kigali.

Ao afirmar que as autoridades ruandesas “violaram a integridade e a soberania da RDC”, os peritos da ONU consideraram-as “responsáveis pelas acções do M23” pelo apoio que dão à sua “conquista territorial”.

Desde finais de 2021, o movimento M23 e as tropas ruandesas têm estado a avançar dentro do Norte-Kivu, no leste da RDC, onde têm infligido derrotas ao exército congolês bem como aos seus aliados e instalaram uma administração paralela nas áreas sob o seu controlo.

Até ao final do ano passado, as autoridades ruandesas negavam com veemência qualquer participação no conflito vigente no leste da RDC. Todavia, no passado dia 20 Junho, em entrevista concedida ao canal France 24, o Presidente ruandês já não fez qualquer espécie de desmentido, dizendo estar “disposto a lutar” contra a RDC, se necessário.

Desde há vários meses que os Estados Unidos, a França, a Bélgica e a União Europeia pedem ao Ruanda que retire os seus militares e os seus mísseis terra-ar da RDC e que cesse o seu apoio ao M23. Estes pedidos, contudo, não têm surtido efeito.

No seu novo relatório que apresenta várias fotografias das zonas controladas pelos M23 e as tropas ruandesas e onde se vêm homens fardados, armas sofisticadas e blindados, os peritos da ONU estimam que no passado mês de Abril, os efectivos das forças ruandesas “igualavam ou superavam em número os combatentes do M23”, estimados em cerca de 3 mil homens.

Segundo os autores desse documento, existem provas de que membros dos serviços secretos do vizinho Uganda estão a fornecer um apoio activo ao M23, isto apesar de as autoridades ugandesas terem também estado a cooperar com Kinshasa na luta contra um movimento rebelde ligado ao grupo Estado Islâmico.

Ainda segundo o relatório divulgado nesta segunda-feira, crianças, “a partir dos 12 anos”, foram recrutadas com falsas promessas ou à força “em quase todos os campos de refugiados no Ruanda” (80 mil congoleses estão refugiados no Ruanda, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados) para serem enviados para campos de treino em zonas rebeldes, sob o controlo de militares ruandeses e de homens do M23.

De acordo com os peritos da ONU, no âmbito das suas ofensivas, os M23 e as forças ruandesas “visaram especificamente localidades maioritariamente habitadas por hutus, em zonas conhecidas por serem bastiões das FDLR”, as Forças Democráticas de Libertação do Ruanda, um grupo rebelde ruandês formado por antigos líderes hutus do genocídio ruandês de 1994, e refugiados no Congo desde então.

A presença desse grupo na RDC, junto à fronteira com o Ruanda, é vista por esse país como uma ameaça à sua segurança.

Uma situação perante a qual tanto Kigali como a comunidade internacional têm reclamado que Kinshasa, acusada de apoiar esse grupo, tome as suas distâncias. Sem também mudar o rumo dos acontecimentos. ANG/RFI

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