Primeiro-ministro diz que a estabilidade e o futuro da Guiné-Bissau dependem da capacidade do país de colocar a juventude no centro das políticas públicas
26 (ANG) – O Primeiro-ministro disse, esta sexta-feira, que a estabilidade política, paz social e o desenvolvimento nacional dependem, directamente,da capacidade do país de colocar a juventude no centro das políticas públicas, seja na economia assim como na governação.
Ilídio Vieira Té falava na abertura oficial do “Diálogo Nacional da Juventude e Governo de Transição”, promovido pela Rede Nacional das Associações Juvenis (RENAJ), e que reúne, em Bissau, cerca de 500 jovens provenientes de diferentes regiões do país.
O chefe do Governo apontou a mobilização juvenil evidenciada no encontro como prova de que “a juventude guineense não quer ser apenas espectadora da história nacional mas também participante ativa na construção do futuro da Guiné-Bissau”.
Vieira Té reconheceu que os jovens continuam a enfrentar enormes desafios estruturais, entre os quais o desemprego, a falta de oportunidades, as dificuldades de acesso à educação de qualidade e à formação profissional, bem como a limitada participação em instâncias de decisão.
“Ignorar estas dificuldades representa um risco para o futuro do país.Um país que abandona a sua juventude está, na prática, a comprometer o seu próprio futuro”, advertiu.
O Chefe do Executivo disse ainda que a estabilidade nacional não poderá ser alcançada apenas através de entendimentos políticos, sublinhando que “a verdadeira estabilidade constrói-se quando os jovens acreditam no país, sentem que têm futuro e encontram oportunidades para trabalhar, estudar, empreender e viver com dignidade.
Té prometeu analisar, “com seriedade”, as conclusões que vão sair desse diálogo para, progressivamente, transformá-las em instrumentos de políticas públicas.
Disse que nenhum Governo conseguirá, sozinho, resolver todos os problemas da juventude, e que, para o efeito, pede um esforço colectivo, envolvendo famílias, escolas, organizações juvenis, autoridades religiosas e tradicionais, setor privado, parceiros internacionais e a própria juventude.
O também ministro das Finanças apelou aos jovens para continuarem a defender a paz, o diálogo, a unidade nacional e os valores democráticos, e para que rejeitem qualquer forma de violência ou divisão política, étnica ou religiosa.
“A juventude deve ser a principal força de reconciliação, modernização e transformação positiva da Guiné-Bissau”, afirmou.
O presidente da RENAJ Abulai Djaura, por sua vez, destacou a importância do Dialogo Nacional da Juventude com o Governo.
“Compreendemos que, independentemente de cada um estar a trabalhar no seu lado, é preciso que as autoridades nacionais interagissm com os jovens, porque existem muitos problemas no país, entre os quais o emprego jovem, promoção de empreendedorismo, a emigração por várias razões, e percebemos que é necessário haver uma interação entre gerações”, disse o líder da juventude guineense.
Acrescentou que é por isso que a RENAJ decidiu organizar este encontro, para debater os problemas que a juventude guineense enfrenta.
Abulai Djaura disse esperar que no final do encontro saísse recomendações que vão permitir a continuidade do dialogo entre os jovens e o Governo, assim como com a comunidade internacional, para a resolução dos problemas que afetam a juventude guineense.
Pede realização de concursos públicos para entrada na Administração Pública, a descentralização da administração,para a redução do êxodo de jovens das regiões para Bissau, local onde há mais oportunidades.
O “Diálogo Nacional da Juventude e Governo de Transição” deve decorrer entre 22 e 23 de Maio e visa a produção de um documento consolidado de recomendações políticas destinadas a reforçar a participação juvenil na governação e na construção da estabilidade nacional. ANG/LPG//SG