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Rússia/Ataque deixa mortos na Ucrânia e projétil abre cratera na Polônia, elevando tensão na Otan

Rússia/Ataque  deixa mortos na Ucrânia e projétil abre cratera na Polônia, elevando tensão na Otan

(ANG) – A Rússia voltou a bombardear a Ucrânia em larga escala na madrugada desta quinta-feira (30), matou ao menos oito pessoas e ampliou as preocupações da Otan.

Enquanto a Polónia investiga a origem de um projétil que abriu uma cratera perto da fronteira ucraniana, Kiev intensifica ataques de drones contra alvos estratégicos em território russo.

A troca de ataques evidencia uma nova fase da guerra, marcada pela escalada da ofensiva aérea de ambos os lados.

Segundo as autoridades ucranianas, a ofensiva lançada por Moscou combinou dezenas de mísseis e centenas de drones contra diferentes regiões do país. O episódio mais grave ocorreu em um vilarejo próximo de Kryvyi Rih, no centro da Ucrânia, onde um míssil balístico atingiu uma residência. Seis integrantes de uma mesma família, três adultos e três crianças, morreram no ataque.

“Era uma casa comum, reduzida a pedaços por um míssil balístico”, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky.

Em Kiev, uma pessoa morreu e outras duas ficaram feridas. Durante a noite, explosões  voltaram a ser ouvidos na capital após o acionamento dos alertas aéreos. Muitos moradores buscaram abrigo nas estações de metrô, uma rotina que se tornou frequente ao longo dos mais de quatro anos de guerra.

 

“Claro que eu gostaria de sair à noite, dançar, marcar encontros, mas, em vez disso, você sai do trabalho pensando que precisa apenas se preparar e correr para o metrô”, disse à AFP a fotojornalista Galyna Doschuk, de 27 anos. “Mas esta é a nossa realidade, uma realidade à qual precisamos nos adaptar. Temos de aprender a encontrar uma saída mesmo onde os outros só enxergam o fim”, acrescentou.

Enquanto a Ucrânia contabilizava os efeitos da ofensiva, um incidente ocorrido em território polonês ampliou as preocupações sobre o alcance regional do conflito. Autoridades da Polónia anunciaram ter localizado uma grande cratera em uma área desabitada próxima à localidade de Tarnawa-Kolonia, na região de Lublin, no leste do país.

Moradores relataram ter ouvido uma forte explosão pouco antes das 4h da manhã. A área atingida fica a cerca de 80 quilómetros da fronteira com a Ucrânia. No local, a polícia encontrou uma cratera com aproximadamente dez metros de diâmetro e fragmentos de um objeto ainda não identificado.

O Comando Operacional das Forças Armadas polonesas informou que um helicóptero militar mobilizado durante a madrugada localizou o que seria o provável ponto de impacto do projétil. O primeiro-ministro Donald Tusk, o ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, e o ministro do Interior, Marcin Kierwinski, anunciaram visita à região.

Uma investigação foi aberta pela Justiça militar polonesa para determinar a origem do objeto. A preocupação não ficou restrita a Varsóvia. O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, condenou nesta quinta-feira (30) os ataques “massivos” realizados pela Rússia contra a Ucrânia durante a madrugada e denunciou a “violação do espaço aéreo polonês”.

Em publicação na rede X, Costa afirmou que os bombardeios “ressaltam mais uma vez que a agressão da Rússia constitui uma ameaça para a segurança de toda a Europa”. A manifestação reforça a preocupação crescente entre os governos europeus com os efeitos do conflito para países vizinhos da Ucrânia e integrantes da Otan.

 

A hipótese remete a incidentes anteriores. Em Novembro de 2022, a queda de um míssil de defesa antiaérea ucraniano matou duas pessoas no vilarejo polonês de Przewodów. Já em Setembro de 2025, cerca de vinte drones russos que entraram no espaço aéreo polonês foram derrubados ou caíram em território do país.

A nova ofensiva russa ocorre num momento em que a Ucrânia vem alterando gradualmente sua estratégia militar. Diante da escassez de sistemas de defesa antiaérea e da dificuldade de impedir os bombardeios russos, Kiev passou a investir cada vez mais em ataques de longa distância contra alvos estratégicos localizados dentro da Rússia.

Na noite de terça para quarta-feira (29), drones ucranianos atingiram refinarias de petróleo e estruturas logísticas em diferentes cidades russas, incluindo Perm, situada a mais de 2.000 quilómetros da linha de frente dos combates terrestres. O objetivo, segundo o especialista ucraniano Maksym Beznosiuk, vai além do impacto militar imediato.

“O objetivo principal é o dano cumulativo. A Ucrânia já conseguiu atingir infraestruturas petrolíferas e agora mira plataformas logísticas onde são armazenados equipamentos de uso civil e militar. Isso perturba as cadeias de abastecimento russas e torna a guerra muito mais visível e real para a população russa”, afirmou.

De acordo com ele, a estratégia explora duas fragilidades da Rússia: a enorme extensão territorial, impossível de ser protegida integralmente, e a concentração de instalações consideradas estratégicas.

“A Rússia precisa escolher constantemente onde posicionar seus sistemas de defesa aérea. Não consegue proteger tudo. E, como refinarias, depósitos e centros logísticos são muito centralizados, alguns ataques podem bastar para afetar o abastecimento de combustível e cadeias de suprimento em diferentes partes do país”, explicou.

Segundo o especialista, porém, esses resultados não significam que um cessar-fogo esteja mais próximo. A tendência, afirma, é que Moscou responda com ataques ainda mais intensos contra instalações militares e civis ucranianas, movimento que parece se refletir nos bombardeios realizados durante a madrugada desta quinta-feira.

A intensificação dos ataques aéreos reforçou os apelos de Kiev por equipamentos de defesa antiaérea. Segundo a força aérea ucraniana, a Rússia utilizou neste último ataque 74 mísseis e 284 drones. As autoridades ucranianas afirmam ter interceptado 55 mísseis e 265 drones.

Zelensky afirmou que a ofensiva demonstra novamente a vulnerabilidade do país diante dos ataques russos.

“Esse terror russo prova mais uma vez que a proteção contra a ameaça dos mísseis russos é a coisa mais importante”, declarou. Zelensky voltou a cobrar o envio de sistemas de interceptação americanos Patriot, destacando que a Ucrânia enfrenta uma “escassez crítica” de mísseis de defesa aérea fornecidos por aliados ocidentais. ANG/RFI/AFP

 

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