Leão XIV pede corredores humanitários e cessar-fogo imediato no Sudão
(ANG) – O Papa Leão XIV apelou este domingo, 9 de Agosto, à abertura de corredores humanitários no Sudão e pediu à comunidade internacional que defensa um cessar-fogo imediato.
O chefe da Igreja Católica manifestou preocupação com El Obeid, no Cordofão do Norte, onde a intensificação dos ataques com drones agrava uma crise que já provocou dezenas de milhares de mortos e milhões de deslocados.
Leão XIV lançou o apelo no Vaticano, no final da oração do Angelus, ao dizer que acompanha “com preocupação” a deterioração da situação no Sudão. O pontífice destacou em particular El Obeid, capital do Cordofão do Norte e um dos principais centros urbanos do país, que nas últimas semanas tem sido alvo de ataques intensos num momento em que a guerra se desloca cada vez mais para a região do Cordofão.
“Renovo o meu apelo às autoridades para garantirem corredores humanitários para a população civil”, apelou o Papa, que pediu uma intervenção mais determinada da comunidade internacional. “Exorto a comunidade internacional a apoiar os esforços destinados a estabelecer um cessar-fogo imediato”, acrescentou.
A intervenção de Leão XIV acontece perante o agravamento de uma guerra iniciada em Abril de 2023 entre as Forças Armadas Sudanesas, comandadas pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e as paramilitares Forças de Apoio Rápido (FSR), lideradas por Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti. O confronto entre duas forças militares, que anteriormente partilharam o poder, mergulhou o Sudão numa fragmentação territorial e numa das mais graves emergências humanitárias.
El Obeid adquiriu uma importância no conflito devido à sua posição estratégica entre Cartum, Darfur e outras zonas do centro e oeste do país. O avanço das Forças de Apoio Rápido e a multiplicação dos ataques na região fizeram aumentar os receios de que a população civil fique cercada entre as forças beligerantes, com acessos cada vez mais limitados a alimentos, medicamentos e assistência humanitária.
A utilização de drones tornou-se, entretanto, uma componente cada vez mais presente da guerra. Segundo dados das Nações Unidas citados nas informações disponíveis, mais de 1.000 civis morreram em ataques deste tipo durante os primeiros cinco meses de 2026. A crescente capacidade das partes para atingir cidades e infra-estruturas longe das linhas tradicionais de combate está a ampliar os riscos para populações que já enfrentam deslocações sucessivas e escassez de bens essenciais.