Aprovado financiamento de 10 milhões de dólares para proteger zonas costeiras e urbanas na Guiné-Bissau
(ANG) – O Fundo para os Países Menos Desenvolvidos (LDCF) gerido pelo Fundo Global para o Ambiente (GEF), aprovou um financiamento de 10 milhões de dólares para uma nova iniciativa de resiliência climática destinada a ajudar a proteger as zonas costeiras e urbanas vulneráveis da Guiné-Bissau contra os crescentes riscos climáticos.
Segundo o Programa das Nações Unidas para O Desenvolvimento(PNUD),que cita um comunicado à imprensa enviado à ANG, o projeto que deverá absorver esse montante terá a vigência de sete anos e denominado“Futuros Resilientes: Proteger as Zonas Costeiras e Urbanas da Guiné-Bissau contra os Riscos Climáticos”, e foi concebido para reforçar a resiliência das comunidades costeiras e urbanas vulneráveis em todo o país.
“As alterações climáticas já estão a afetar vidas e meios de subsistência em toda a Guiné-Bissau, particularmente nas comunidades costeiras e urbanas vulneráveis”, afirmou Alessandra Casazza, Representante Residente do PNUD na Guiné-Bissau.
Casazza disse que esta iniciativa representa um investimento estratégico nas pessoas, nos ecossistemas e nas infraestruturas, reforçando simultaneamente as capacidades locais para melhor antecipar e responder aos riscos climáticos.
Acrescentou que , ao combinar soluções baseadas na natureza, infraestruturas resilientes e planeamento inclusivo, o projeto ajudará as comunidades a adaptarem-se, promovendo, simultaneamente, o desenvolvimento sustentável e a igualdade de género.
“Este projeto combinará na Guiné-Bissau o planeamento baseado na ciência, soluções baseadas na natureza e ação impulsionada pela comunidade para reforçar a resiliência das comunidades vulneráveis”, afirmou.
Por sua vez, o Diretor Executivo Interino e Presidente do GEF, Claude Gascon, afirmou que o projeto foi concebido, não só para proporcionar benefícios imediatos, mas também para ajudar a alargar abordagens integradas onde estas são mais necessárias.
Referiu que a degradação dos ecossistemas naturais de proteção, particularmente mangais e florestas costeiras, está a aumentar ainda mais a vulnerabilidade da zona costeira à fenómenos meteorológicos extremos, inundações e erosão costeira, agravando assim os riscos para os meios de subsistência, as infraestruturas e a saúde humana.
“As zonas costeiras da Guiné-Bissau estão entre as mais vulneráveis da África Ocidental. Desde as zonas urbanas de baixa altitude de Bissau até às ilhas do Arquipélago dos Bijagós e as margens propensas à erosão de Varela, as alterações climáticas ameaçam, cada vez mais, as habitações, os meios de subsistência, ecossistemas e as infraestruturas críticas”, disse.
Destacou que a subida do nível do mar, as inundações, a erosão costeira e os fenómenos meteorológicos extremos estão a exercer uma pressão crescente sobre as comunidades que já enfrentam desafios de desenvolvimento significativos.
As mulheres, segundo Gascon, são frequentemente afetadas de forma desproporcional devido ao acesso desigual à recursos, terra e oportunidades económicas, numa altura em que os riscos climáticos se intensificam e a urbanização continua a expandir-se para áreas propensas inundações, o projeto oferece uma resposta prática e integrada.
No quadro deste projecto serão levados a cabo desde o reforço de infraestruturas resilientes às alterações climáticas, restauração de sistemas naturais de proteção costeira, melhoramento da preparação para catástrofes à apoios às comunidades — particularmente as mulheres e as populações vulneráveis — para se adaptarem e prosperarem face às alterações climáticas.
Gascon, revelou que o projeto será implementado pelo Ministério do Ambiente, Biodiversidade e Ação Climática (MABAC), com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com foco na paisagem urbana e periurbana mais ampla de Bissau, na Ilha de Bubaque e em Varela.
“Estas áreas estão altamente expostas à inundações costeiras, erosão, intrusão salina e riscos relacionados com o clima.
O projeto coloca ênfase na inclusão e liderança das mulheres, promovendo a sua participação ativa nos processos de tomada de decisão, reforçando o seu acesso à oportunidades de subsistência resilientes às alterações climáticas e garantindo que as medidas de adaptação respondam às necessidades e vulnerabilidades específicas das mulheres e das raparigas,” referiu.
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