Literatura /Carlos Lopes diz que fragilidade institucional alimenta instabilidade política na Guiné-Bissau
(ANG) – O Investigador e economista, Carlos Lopes disse que a instabilidade política na Guiné-Bissau resulta de conflitos históricos não resolvidos desde a luta de libertação nacional e da fragilidade das instituições do Estado-
Disse que o país precisa de enfrentar essa realidade para construir um projeto de desenvolvimento sustentável.
Lopes falava na cerimónia de apresentação do livro: ”A Transição Histórica da Guiné-Bissau: Conflitos e Instabilidade Política , da conceção do Estado, comorbidades e configurações (1980-2025).
Durante a sua intervenção sobre a sua obra , o autor explicou que a primeira parte do livro analisa o conflito entre uma “racionalidade étnica” e uma “racionalidade estatal”, que, segundo defende, permaneceu sem solução durante o processo de independência, numa altura em que o país vivia a construção da sua identidade nacional.
Na sua análise, o golpe de Estado de 1980 representou a continuidade de tensões já presentes durante a luta de libertação e diz que a política guineense tem sido marcada pelo protagonismo de personalidades em detrimento de programas e projetos políticos, agravado pela fraqueza das instituições herdadas do período colonial.
Ao comparar a Guiné-Bissau com Cabo Verde, Carlos Lopes sustentou que a consolidação institucional permitiu ao arquipélago enfrentar crises sem comprometer a estabilidade do sistema político.
O investigador alargou a reflexão ao contexto africano, afirmando que a maioria dos países independentes do continente enfrentou conflitos políticos e identificando quatro tendências recentes: o desgaste da legitimidade eleitoral devido à ausência de resultados concretos após as eleições, o impacto das redes sociais na polarização, a simplificação excessiva do debate político e o recurso crescente aos tribunais para afastar opositores da competição eleitoral.
Segundo Carlos Lopes, estas dinâmicas têm contribuído para transformar as eleições em fatores de tensão política, em vez de mecanismos de pacificação.
Carlos Lopes distinguiu os países africanos entre “rentistas”, centrados na apropriação de recursos públicos, e “reformistas”, empenhados na transformação económica.
Defendeu que as reformas exigem liderança assente em três pilares: ambição estratégica alinhada com as tendências tecnológica, climática e demográfica, definição clara de prioridades e coordenação entre os diferentes atores económicos.
Na sua perspetiva, esses elementos continuam ausentes na realidade da Guiné-Bissau, comprometendo a capacidade de o país construir um caminho consistente de desenvolvimento.
Por seu lado e em declarações à imprensa após apresentação do seu livro intitulado” “Conflitos e Instabilidade Política na Guiné- Bissau, o escritor Tamilton Teixeira diz que a instabilidade política se deve à problemas não resolvidos desde a independência.
Defendeu que a instabilidade política da Guiné- Bissau tem origem em problemas não resolvidos logo após a independência, e que impediram a consolidação do projeto de Estado- nação e desviaram a atenção da classe política das prioridades de desenvolvimento.
Teixeira afirmou que os conflitos pelo poder, agravados após o assassinato de Amílcar Cabral, passaram a dominar a agenda política, deixando para o segundo plano, os objetivos que fundamentam a luta pela independência.
Segundo explicou, a disputa pelo controlo dos recursos do Estado permaneceu como a principal causa das sucessivas crises, embora tenha assumido diferentes formas ao longo do tempo, com novos protagonistas e novos discursos.
Tamilton Teixeira defendeu que a solução passa por recolocar no centro da ação política o projeto apresentado ao povo durante a luta de libertação marcado por ideais de combate à fome, à exploração e injustiça.
O autor apelou a uma leitura crítica da obra, com base numa análise própria e pautada pela honestidade inteletual sobre a realidade da Guiné-Bissau.
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