Côte D`Ivoire/BAD prevê um crescimento de 4,6 por cento para África Ocidental
(ANG) – O Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê um crescimento de 4,6% na África Ocidental em 2026, impulsionado por uma resiliência económica sustentada.
Em um relatório intitulado “Perspectivas Económicas Regionais”, publicado em Abidjan, a instituição bancária pan-africana observa que “a África Ocidental demonstrou resiliência económica em 2025, registando um crescimento de 4,8%, acima da média continental de 4,4%, apesar das tensões geopolíticas, da insegurança em partes da região, da crescente fragmentação da economia global e da alta volatilidade nos mercados financeiros internacionais”.
E o AfDB prosseguiu dizendo que a perspectiva para a região continua promissora, com um crescimento projetado de 4,6% em 2026, impulsionado pelo aumento do investimento privado, pela recuperação da demanda interna, pelo investimento contínuo em infraestrutura e pela expansão dos setores de petróleo, gás e mineração.
No entanto, as tensões geopolíticas persistentes, a inflação global sustentada, as crescentes vulnerabilidades relacionadas à dívida pública e o aperto das condições financeiras podem afetar essas perspectivas positivas, alerta o AfDB.
O relatório também mostra que a África Ocidental pode colmatar o seu défice anual de financiamento do desenvolvimento, estimado entre 90 e 100 mil milhões de dólares, através de uma maior mobilização de recursos internos, de uma gestão financeira pública mais robusta e de uma melhor canalização do capital local para investimentos produtivos.
O AfDB indica que as dificuldades de financiamento da região decorrem menos da escassez de capital do que da fragmentação e subutilização dos recursos financeiros existentes, defendendo reformas destinadas a mobilizar receitas internas, fortalecer a intermediação financeira e alavancar recursos locais de longo prazo necessários para a transformação estrutural que promova o crescimento inclusivo.
Além disso, o documento revela que a relação média entre impostos e PIB na África Ocidental tem sido de 9,9% nos últimos cinco anos, bem abaixo do critério de convergência de 20% da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).
Segundo o relatório, essa situação limita a capacidade dos governos de financiar suas prioridades de desenvolvimento e fortalecer sua resiliência fiscal, observando que o fortalecimento da mobilização de recursos internos é essencial para ampliar o espaço fiscal e reduzir as restrições de financiamento.
Para enfrentar esses desafios, o relatório identifica quatro prioridades: ampliar a base tributária, melhorar a gestão das receitas provenientes de recursos naturais, formalizar as atividades económicas informais e direcionar as economias de planos de pensão e seguros para investimentos produtivos de longo prazo. ANG/Faapa