CNT diz que Guiné-Bissau não manifestou o interesse de reintegrar na CPLP
(ANG) – O Conselho Nacional de Transição (CNT) afirmou esta quarta-feira que a Guiné-Bissau não manifestou interesse em regressar à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), considerando que a organização deixou de representar os interesses dos seus Estados-membros e passou a servir objetivos geopolíticos de Portugal.
A posição foi divulgada através de um comunicado oficial apresentado em Bissau pelo porta-voz do CNT, Fernando Vaz, em resposta às recentes declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel.
Numa recente declaração à imprensa portuguesa, Paulo Ranger manifesta apoio da CPLP a realização de novas eleições na Guiné-Bissau e pediu a libertação de Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC.
No comunicado, o órgão legislativo de transição sustenta que a soberania da Guiné-Bissau foi conquistada pelo próprio povo durante a luta de libertação nacional e que, por isso, não necessita da aprovação ou legitimação de organizações internacionais para definir o seu percurso político.
O CNT destacou igualmente que os processos eleitorais realizados no país foram financiados maioritariamente pelo Orçamento Geral do Estado, contrariando a ideia de dependência externa.
A entidade garante que as próximas eleições seguirão o mesmo modelo, sendo organizadas e financiadas pelas autoridades nacionais.
Segundo o comunicado, a capacidade de assegurar os custos eleitorais demonstra a autonomia do Estado guineense e a sua determinação em exercer plenamente as responsabilidades inerentes à sua soberania.
O órgão criticou ainda a decisão da CPLP de suspender a Guiné-Bissau, classificando-a como uma medida contrária aos estatutos da organização e adotada sem o devido consenso entre os Estados-membros.
Em reação às declarações do chefe da diplomacia portuguesa sobre uma eventual reavaliação da suspensão, o CNT diz que tal posição revela uma postura de ingerência nos assuntos internos do país e uma visão que desrespeita a autodeterminação nacional.
O comunicado acusa também Portugal de procurar influenciar questões políticas e judiciais da Guiné-Bissau, advertindo que qualquer tentativa de interferência externa será rejeitada pelas autoridades de transição.
Na conclusão da nota, o Conselho Nacional de Transição reafirma que o futuro político do país deve ser decidido exclusivamente pelos cidadãos e pelas instituições nacionais, defendendo um caminho baseado na independência, soberania e autodeterminação do povo guineense. ANG/MI/ÂC//SG