EUA/Deputados exigem fim da guerra contra o Irã, em afronta a Trump
(ANG) – Pela primeira vez desde o início da guerra contra o Irã, em 28 de Fevereiro, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos chegou a um acordo, na noite de quarta-feira (3).
Os deputados aprovaram um texto exigindo a retirada das tropas americanas da região, em uma afronta ao presidente Donald Trump.
A decisão teve uma novidade de peso: quatro republicanos votaram junto com os democratas para aprovar a resolução por 215 votos contra 208.
O voto é simbólico. O texto ainda precisa passar pelo Senado, e o presidente americano tem direito de veto. De qualquer forma, a resolução não tem força de lei, mas sua aprovação é uma surpresa. Os democratas já haviam tentado três vezes exigir o fim da guerra no Irã sem sucesso.
Desta vez, porém, a mudança ocorreu graças a quatro parlamentares republicanos. Eles mudaram de posição devido às eleições de meio de mandato, que acontecem em Novembro.
O conflito no Oriente Médio não é popular nos Estados Unidos e, ao apoiar Donald Trump de forma incondicional, os conservadores moderados começam a assumir riscos, especialmente diante dos eleitores independentes.
Os membros democratas do Comité de Relações Exteriores saudaram a “mensagem firme e inequívoca dirigida a Donald Trump pelos americanos”. “Chegou o momento de encerrar essa guerra ilegal e profundamente impopular.”
O papel de fiscalização do Congresso também está em jogo. Após 60 dias de conflito, a lei determina que a Casa Branca deveria ter solicitado autorização do Congresso para continuar a guerra. No entanto, isso não aconteceu. O governo Trump alegou que não havia mais hostilidades desde o cessar-fogo de 8 de Abril.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, voltou a defender esse argumento na quarta-feira diante da Câmara dos Representantes. Em outras palavras, todos os meios e recursos retóricos foram utilizados pela Casa Branca para evitar o controle parlamentar.
Ainda assim, a pressão vem aumentando, pois a guerra se prolonga e Donald Trump não consegue resolver diplomaticamente o conflito, iniciado em Fevereiro.
Além do sinal enviado pelo Congresso na noite de quarta-feira, o Senado havia se pronunciado em 19 de maio, também sobre a guerra no Irã. A aprovação final desse texto na câmara alta pode ocorrer ainda nesta semana.
A adoção desses dois projetos, em quinze dias, representa um avanço político significativo.
Donald Trump tem interesse em firmar um acordo o mais rápido possível com o regime iraniano, caso contrário poderá enfrentar um debate sobre a guerra em sessão plenária no Congresso.
O presidente americano deverá inclusive vetar uma dessas resoluções caso ela avance até o final do trâmite parlamentar, o que seria muito delicado do ponto de vista do eleitorado. A opinião pública americana é sensível ao aumento dos preços provocado pelo conflito e poderia concluir que o presidente não está fazendo nada para conter essa alta. ANG/RFI