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Irã/Repressão contra opositores se intensifica e ONG aponta mais de 400 execuções em 2026

Irã/Repressão contra opositores se intensifica e ONG aponta mais  de 400 execuções em 2026

(ANG) – Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de Fevereiro, as autoridades iranianas intensificam a repressão.

Fortalecido por sua resistência militar e cada vez mais inflexível, Teerã amplia o controle sobre a sociedade civil por meio de prisões, execuções e restrições às liberdades individuais.

Ao mesmo tempo, o regime islâmico impõe condições para a reabertura do Estreito de Ormuz, um dos requisitos impostos pelos Estados Unidos para o fim do conflito.

A população iraniana é a principal vítima de uma crise que parece longe de uma solução.

O número de enforcamentos de opositores, manifestantes e presos políticos se multiplica.

A ONU denuncia 56 execuções desde o início do ano – uma situação que choca o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, que convocou, na semana passada, as autoridades iranianas a interromperem urgentemente todas as execuções e avançar rumo à abolição da pena de morte.

Já a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, em um balanço publicado no início deste mês, informa que o Irã executou pelo menos 444 prisioneiros entre Janeiro e o final de Julho.

A entidade afirmou ainda ter recebido informações sobre mais de 400 execuções adicionais, que não puderam ser incluídas nos números oficiais por falta de verificação independente.

Encurralados entre pressão militar dos Estados Unidos e a repressão cada vez mais dura, os iranianos enfrentam um cotidiano marcado pelo medo dos bombardeios, pela inflação descontrolada, pelo desemprego e pela sensação de viver em uma guerra sem fim.

Embora parte da população tenha visto inicialmente os ataques americanos como uma oportunidade de enfraquecer a República Islâmica, muitos passaram a rejeitar o conflito à medida que os ataques atingiram a economia, a infraestrutura e a vida civil.

O país vive uma profunda crise social e psicológica.

Para especialistas, é inegável que o regime iraniano saiu fortalecido no confronto com Washington e utiliza o conflito para aprofundar ainda mais a repressão.

O Irã é cada vez mais agressivo no exterior e mais autoritário internamente, enquanto cresce o descontentamento de uma população que, segundo o jornal, não se sente representada pelo poder dos aiatolás.

Os dirigentes iranianos conseguiram, até agora, manter o presidente americano, Donald Trump, em xeque. No entanto, a insatisfação popular cresce e focos de resistência e de desobediência civil resistem.

Neste último balanço divulgado pela Iran Human Rights, o diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, faz um apelo para que a comunidade internacional conteste de forma “forte e coordenada” o uso da pena de morte pela República Islâmica.

“Estamos profundamente preocupados que o conflito militar em curso entre a República Islâmica, os Estados Unidos e Israel seja usado para intensificar execuções sob o pretexto de segurança nacional”, diz.

O caso mais simbólico do aumento da repressão interna promovida pelo regime iraniano é o da fotojornalista Yalda Moaiery, condenada a 15 anos de prisão. Sob a acusação de colaborar com veículos estrangeiros, ela também foi proibida de exercer atividades profissionais e de usar redes sociais.

“Não fui autorizada a consultar meu dossiê para conhecer as peças processuais que fundamentam as acusações contra mim, explica ela ao jornal francês Le Monde.

“Mas, quando os responsáveis do tribunal o folhearam diante de mim, ele continha minhas fotografias e minhas entrevistas concedidas a veículos estrangeiros”, contou ela ao jornal.

Yalda Moaiery pretende recorrer de sua condenação, embora não alimente esperanças. “Precisamos solicitar a realização de um novo julgamento, já que o primeiro ocorreu na minha ausência. Contudo, duvido que a condenação seja anulada.

Acho que, no fim das contas, eles provavelmente vão me fazer cumprir três ou quatro anos de prisão”, explicou ao Le Monde.

Cerca de 100 artistas, cineastas e intelectuais foram convocados pelos serviços de segurança após criticarem a repressão. Em Teerã e em outras cidades, cafés, restaurantes e espaços frequentados por jovens foram fechados pelas autoridades, oficialmente por questões ligadas ao descumprimento das regras sobre o uso do véu islâmico.

Para a Iran Rights Watch, em um momento de negociações paralisadas com Washington e crise económica, o regime iraniano reforça o controle sobre a sociedade, temendo uma nova onda de contestação popular no país. Segundo a ONG, centenas de opositores do regime estão atualmente no corredor da morte no Irã. ANG/RFI

 

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