Gâmbia/Primeiro-Ministro guineense afirma que o continente africano atravessa um “momento decisivo” face a um panorama internacional de restrições financeiras
(ANG) – O Primeiro-Ministro Ilídio Vieira Té, disse que o continente atravessa um “momento decisivo” face a um panorama internacional de volatilidade e restrições financeiras.
De acordo com a informação publicada na página de facebook da Embaixada da Guiné-Bissau na Gâmbia, a que ANG teve acesso, Ilídio Vieira Té, falava como orador convidado de honra, proferindo o discurso de abertura da sessão desta terça-feira, segundo dia de trabalhos do Caucus Africano 2026, que decorre em Bijilo(Gâmbia).
Na ocasião, o governante instou os Estados-membros a reativar o espírito da Declaração de Bangui de 2025.
Informou que, a intervenção do chefe do Governo guineense, que sucedeu à alocução do empresário nigeriano Aliko Dangote, centrou-se na urgência de converter o potencial estratégico do continente em resultados tangíveis através do investimento, da inovação e da inclusão.
No plano bilateral e regional, o Primeiro-Ministro Ilídio Vieira Té começou por endereçar um voto de profundo agradecimento ao Presidente gambiano, Adama Barrow, bem como ao Governo e ao povo da Gâmbia, enaltecendo a hospitalidade e a organização do encontro como reflexos do compromisso de Banjul com a integração e a cooperação interafricana.
“Devemos passar da visão à implementação. A transformação económica de África exige uma combinação estratégica de investimento, inovação e inclusão, apoiada por uma mobilização robusta de recursos internos”, afirmou o Primeiro-Ministro.
Para Ilídio Vieira Té, o roteiro do desenvolvimento africano deve priorizar a diversificação económica, o fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas e a consolidação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) para fixar cadeias de valor regionais e industrializar os recursos naturais locais.
O Primeiro-Ministro partilhou com a assembleia os progressos macroeconómicos recentes da Guiné-Bissau, apontando o país como um exemplo de resiliência e eficácia governativa perante choques externos.
Destacou, em particular, a conclusão com sucesso da 11.ª avaliação do programa assistido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), reafirmando o empenho de Bissau na consolidação fiscal, na redução do défice e no alinhamento da dívida pública com os critérios de convergência da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA).
Mesmo num quadro de persistência de preços elevados de combustíveis no mercado internacional, Ilídio Vieira Té asseverou que o executivo guineense logrou garantir a estabilidade do abastecimento interno e proteger as finanças públicas mediante uma monitorização rigorosa e uma gestão prudente.
Na vertente da arquitetura financeira global, o chefe do Governo guineense defendeu uma reforma institucional e uma cooperação mais ambiciosa com o FMI e o Grupo Banco Mundial.
Reclamou o acesso a mecanismos de financiamento mais previsíveis e adaptados às debilidades orçamentais dos países africanos, a par de assistência técnica direcionada para a transição digital, energética e modernização tributária.
A encerrar a sua comunicação, o Primeiro-Ministro relembrou que a sustentabilidade de qualquer reforma económica depende do investimento no capital humano e na formação da juventude africana, de modo a transformar o dividendo demográfico no principal motor de prosperidade.
Concluiu que a Guiné-Bissau, reafirma o seu alinhamento inabalável com a agenda de unidade africana em prol de um continente mais competitivo, integrado e resiliente.
Ilídio Vieira Té está de visita de rabalho na Gâmbia para participar entre os dias 05 e 08 do corrente mês, na Reunião Anual dos Governadores Africanos do Fundo Mundial Internacional e Banco Mundial – Caucus 2026. ANG/ÂC