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  Gaza/Conflito Israel-Hamas

(ANG) – As tréguas de quatro dias acordadas com Israel em troca da libertação de 50 reféns entram em vigor às 10h00 locais desta quinta-feira, anunciou o movimento islamita Hamas.

“A trégua na Faixa de Gaza começará às 10h00 de quinta-feira”, declarou Musa Abou Marzouk, membro sénior da ala política do Hamas, à cadeia de televisão Al Jazeera do Qatar.

Marzouk adiantou que o Hamas está preparado para um cessar-fogo global e para uma troca de prisioneiros”, antes de indicar que “a maior parte” dos reféns feitos durante os ataques de 07 de Outubro “são estrangeiros”, sem dar mais pormenores.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, saudou quarta-feira o acordo entre Israel e o Hamas para a libertação de reféns, mas considerou que “ainda há muito a fazer”, disse o seu porta-voz.

Guterres “congratula-se com o acordo alcançado entre Israel e o Hamas, com a mediação do Qatar, apoiado pelo Egipto e pelos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz numa breve declaração recebida em Genebra, Suíça.

Acrescentou que a ONU fará tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar a implementar o acordo, segundo a agência francesa AFP.

O acordo prevê a libertação de 50 reféns detidos na Faixa de Gaza, em troca de 150 prisioneiros palestinianos e uma trégua de quatro dias no território.

Cerca de 500 doentes e médicos do Hospital Indonésio, localizado no norte de Gaza, foram retirados na terça-feira, numa nova operação coordenada por agências humanitárias, indicou hoje o relatório diário da ONU sobre o conflito entre Israel e o Hamas.

A retirada foi realizada um dia depois de um ataque ao centro hospitalar ter causado a morte de pelo menos 12 pessoas, afirma o relatório do gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

“(O hospital) continua cercado por tropas e tanques israelitas”, diz as Nações Unidas, observando que apenas dois pequenos hospitais na metade norte de Gaza, de um total de 24, permaneceram operacionais.

No sul da faixa, zona para onde foi ordenada a evacuação de civis de Gaza e que também sofre bombardeamentos de Israel, funcionam sete das 11 instalações hospitalares, disse a ONU.

O número de camas hospitalares no território palestino caiu de 3.500 antes do conflito para 1.400.

Os ataques a centros hospitalares, que segundo as forças israelitas são usados como refúgio pelos grupos armados do Hamas, continuaram nas últimas 24 horas, e num deles contra o centro Al Awda, quatro médicos morreram, divulgou na terça-feira a organização Médicos Sem Fronteiras.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) documentou 178 ataques a instalações médicas em Gaza até à data, com pelo menos 22 mortes e 48 feridos entre os profissionais de saúde em serviço.

A ONU recorda que 1,7 milhões de pessoas abandonaram as suas casas devido ao conflito, mais de três quartos da população de Gaza: cerca de 930 mil estão alojadas em escolas e outros centros da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA) e 770 mil estão na parte sul.

Nas deslocações de norte para sul da faixa, ordenadas por Israel, constatou-se que há um grande número de menores não acompanhados e de famílias nas quais pais e filhos são separados à força, destaca o relatório.

O documento recorda ainda que pelo menos 53 jornalistas morreram no conflito, dois deles no início desta semana.

Ainda que o acordo de cessar-fogo temporário entre Israel e o grupo islâmico Hamas tenha contemplado a libertação de 150 prisioneiros palestinianos, Telavive divulgou uma lista com os nomes de 300 pessoas, a maioria das quais homens com de 17 ou 18 anos de idade.

De acordo com o documento, entre os detidos estão pessoas dos 14 aos 59 anos, com acusações que vão desde tentativa de homicídio ao contacto com organizações hostis.

Estão também incluídos os nomes de 60 mulheres, a maioria detidas nos últimos dois anos por ofensas como colocar em causa a segurança da região, infiltrar-se em Israel sem autorização, atirar pedras, e posse de armas.

Israel aceitou terça-feira o acordo para um cessar-fogo de pelo menos quatro dias, tendo todos os membros do Executivo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu votado a favor, exceto os três ministros do Partido do Poder Judaico (Otzma Yehudit), de extrema-direita, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir.

Para o efeito, o Hamas levará os reféns para o Egipto através da passagem de Rafah, em grupos diários de cerca de 10, que serão, depois, transferidos para Israel.

Por seu lado, Israel deverá libertar pelo menos 150 prisioneiros palestinos – na maioria mulheres e menores – que não tenham sido condenados por crimes de sangue.

“O número de pessoas libertadas irá aumentar em fases posteriores da implementação do acordo”, disse o Ministério israelita dos Negócios Estrangeiros em comunicado.

A entidade sublinhou ainda que o cessar-fogo “irá permitir a entrada de um maior número de comboios humanitários e ajuda humanitária, incluindo combustível designado para necessidades humanitárias”.

Apesar de o Hamas ter saudado o acordo, o grupo garantiu que a luta não terminou. “Confirmamos que as nossas mãos continuarão no gatilho e que os nossos batalhões triunfantes continuarão atentos”, alertou a milícia, em comunicado.

Depois do ataque surpresa do Hamas contra o território israelita, sob o nome ‘Tempestade al-Aqsa’, Israel bombardeou a partir do ar várias instalações daquele grupo armado na Faixa de Gaza, numa operação que denominou ‘Espadas de Ferro’.

O primeiro-ministro israelita declarou guerra com o Hamas, grupo considerado terrorista por Israel, pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE), tendo acordado com a oposição a criação de um governo de emergência nacional e de um gabinete de guerra. ANG/Angop

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