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Tráfico de droga/Filho do ex-Presidente da República condenado há mais de seis anos de prisão nos EUA

Tráfico de droga/Filho do ex-Presidente da República condenado há mais de seis anos de prisão nos EUA

(ANG) – O filho de um ex-Presidente da Guiné-Bissau foi condenado há mais de seis anos e meio de prisão por envolvimento numa conspiração transnacional de tráfico de heroína, noticiou agência Lusa, citando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA).

Segundo a Lusa,   Malam Bacai Sanha Jr, de 52 anos, liderava uma organização transnacional de tráfico de drogas e, em Setembro do ano passado, declarou-se culpado de “conspiração para distribuição de substância controlada para fins de importação ilegal”.

“Na audiência, o tribunal ouviu que Sanhá pretendia usar o produto da droga para financiar a sua futura campanha à Presidência em 2025 e um golpe de Estado naquele país”, indicou em comunicado a Administração de Repressão às Drogas (DEA), a agência federal norte-americana responsável pelo combate ao tráfico e distribuição ilícita de drogas.

O juiz distrital dos EUA, Keith Ellison, ordenou que Sanhá Jr cumprisse uma pena de 80 meses de prisão. 

Conhecido como “Bacaizinho” na Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá Jr — que chegou a servir no Governo do pai como conselheiro para a área económica — já havia sido extraditado para os EUA em Agosto de 2022, depois de ter sido detido na Tanzânia, e estava numa prisão no Estado do Texas.

Ao proferir a sentença, o tribunal norte-americano observou que Sanhá Jr estava diretamente envolvido na importação de heroína da Europa para os Estados Unidos. O tribunal também concluiu que suas atividades de tráfico de drogas eram extensas.

“Malam Bacai Sanhá Jr não era um traficante de drogas internacional comum. Ele traficava drogas por uma razão muito específica — para financiar um golpe que acabaria por levá-lo à Presidência da República da Guiné-Bissau, onde planeava estabelecer um regime de drogas”, disse o agente especial Douglas Williams, do escritório do FBI em Houston, no Texas. 

“Felizmente, os agentes do FBI de Houston e os nossos parceiros da DEA frustraram as suas tentativas, com a cooperação dos nossos parceiros internacionais. O crime tem alcance e impacto global, e o FBI também”, acrescentou.

Além de liderar uma organização criminosa transnacional, Sanhá Jr trabalhava como “co-conspiradores internacionais” para importar heroína de vários países para Portugal, assegurou a justiça norte-americana.

Com a ajuda de co-conspiradores, “Sanha forneceu 4,7 quilogramas de heroína a um agente da lei disfarçado em Lisboa em Fevereiro e Março de 2022” e “concordou ainda em entregar a heroína em pelo menos três ocasiões, acreditando que ela seria importada ilegalmente para os Estados Unidos”, diz o comunicado da DEA.

“O alcance expansivo das redes criminosas transnacionais, como a que Sanhá dirigia, representa uma séria ameaça à segurança e à saúde de todas as comunidades”, disse o procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul do Texas, Alamdar Hamdani.

A investigação em causa foi fruto de uma cooperação entre agências e organizações de vários países, incluindo a Polícia Judiciária portuguesa.

ANG/Lusa

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