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Dados Biográficos de Amilcar Cabral

Dados Biográficos de Amilcar Cabral

Amílcar Lopes da Costa Cabral (BafatáGuiné Portuguesa, actual Guiné-Bissau12 de setembro de 1924 — Conacri20 de janeiro de 1973) foi um político, agrónomo e teórico marxista[1] da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.[2]

Biografia

Filho de Juvenal Lopes Cabral (cabo-verdiano[2]), professor, e de Iva Pinhel Évora (guineense de ascendência caboverdiana[2]) nasceu em Bafatá, Guiné-Bissau, onde o seu pai foi colocado à época, como professor.[3]

Aos oito anos de idade, sua família mudou-se para Cabo Verde, estabelecendo-se em Santa Catarina (ilha de Santiago), que passou a ser a cidade de sua infância, onde completou o ensino primário. De seguida mudou com a mãe e os irmãos para Mindelo, São Vicente, onde veio a terminar o curso liceal em 1943, no Liceu Gil Eanes. Como apontado por Patrícia Villen,[4] sua adolescência remete a um período de intensa seca e fome na ilha. Nos anos 40, por exemplo, essa crise provocou a morte de 50 mil pessoas, além da emigração em massa de cabo-verdianos.

No ano seguinte, mudou-se para a cidade de Praia, na Ilha de Santiago, e começou a trabalhar na Imprensa Nacional, mas só por um ano pois, tendo conseguido uma bolsa de estudos, no ano de 1945 ingressou no Instituto Superior de Agronomia,[2] em Lisboa. Foi aluno de destacados professores como Mário de Azevedo Gomes ou Carlos Baeta Neves. [5] Único estudante negro de sua turma, Cabral logo se envolve em reuniões de grupos antifascistas e, ao lado de outros alunos vindos da África, tais como Mário de AndradeAgostinho Neto e Marcelino dos Santos que conheceu na Casa dos Estudantes do Império “conhece vetores culturais da reafricanização dos espíritos do movimento da negritude dirigido por Léopold Sédar Senghor“.[4] Após graduar-se em 1950, trabalhou por dois anos na Estação Agronómica Nacional de Sacavém.

Contratado pelo Ministério do Ultramar como adjunto dos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné, regressou a Bissau em 1952. Iniciou seu trabalho na granja experimental de Pessube percorrendo grande parte do país, de porta em porta, durante o Recenseamento Agrícola de 1953 adquirindo um conhecimento profundo da realidade social vigente. Suas atividades políticas, como a criação da primeira a Associação Esportiva, Recreativa e Cultural da Guiné, aberta tanto aos “assimilados” quanto aos indígenas, reservam-lhe a antipatia do governador da colôniaMelo e Alvim, que o obriga a emigrar para Angola. Nesse país, torna-se signatário do “Manifesto de 1956”, portanto um dos fundadores do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).[2][6]

Em 1955, Cabral participa da Conferência de Bandung e toma conhecimento da questão afro-asiática. Em 1959 juntamente com Aristides Pereira, seu irmão Luís Cabral, Fernando Fortes, Júlio de Almeida e Elisée Turpin, funda o partido clandestino Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Em 3 de agosto de 1959, o partido teve participação na greve de trabalhadores do porto de Pidjiguiti, fortemente reprimida pelo governo colonial, resultando na morte de 50 manifestantes e no ferimento de outras centenas.

Articula, em janeiro de 1960, a criação da Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colônias Portuguesas (FRAIN/CONCP), durante a 2ª Conferência dos Povos Africanos, realizada em Tunes.[7] A FRAIN/CONCP seria fundamental para que o PAIGC pudesse sair da clandestinidade ao estabelecer uma delegação na cidade de Conacri, capital da República de Guiné-Conacri. Em 23 de janeiro de 1963 tem início a luta armada contra a metrópole colonialista, com o ataque ao quartel de Tite, no sul da Guiné-Bissau, a partir de bases na Guiné-Conacri.[8] Quatro anos mais tarde, o PAIGC s

Centro Cultural Amílcar Cabral, em João Galego, em Cabo Verde

Em 1970, Amílcar Cabral, fazendo-se acompanhar de Agostinho Neto e Marcelino dos Santos, é recebido pelo Papa Paulo VI[9] em audiência privada. Em 21 de novembro do mesmo ano, o Governador português da Guiné-Bissau determina o início da Operação Mar Verde, com a finalidade de capturar ou mesmo eliminar os líderes do PAIGC, então aquartelados em Conacri. A operação não teve sucesso.

Em 20 de janeiro de 1973, Amílcar Cabral é assassinado em Conacri, por dois membros de seu próprio partido. Amílcar Cabral profetizara seu fim, ao afirmar: “Se alguém me há de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios.” Aristides Pereira substituiu-o na chefia do PAIGC. Após a morte de Cabral, a luta armada se intensifica e a independência de Guiné-Bissau é proclamada, unilateralmente, em 24 de Setembro de 1973. Seu meio-irmão, Luís de Almeida Cabral,[10] é nomeado o primeiro presidente do país.

A 10 de dezembro de 2022, foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grande-Colar da Ordem da Liberdade, de Portugal.[11]

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