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Jovens detidos  em manifestação em Bissau foram soltos mas denunciam violências

Jovens detidos  em manifestação em Bissau foram soltos mas denunciam violências

(ANG) – Foram soltos todos os jovens que foram detidos no domingo durante uma
manifestação junto da delegação da CEDEAO em Bissau, organizada pela Juventude Africana Amílcar Cabral (JAAC), a vanguarda juvenil do PAIGC.

 Nesta manifestação convocada no próprio dia em que os líderes da sub-região estavam reunidos em cimeira, em Abuja, pretendia-se chamar a atenção da CEDEAO sobre a crise política vivenciada pela Guiné-Bissau desde os acontecimentos de 1 de Dezembro e reclamar o “respeito da Constituição” do país.

Após denunciar  em comunicado “a detenção arbitrária dos dirigentes em pleno exercício do seu direito de manifestar junto da representação da CEDEAO”, o Secretariado Nacional da Juventude Africana Amílcar Cabral (JAAC) dá conta hoje de violências durante estas detenções. 

Ao indicar que os jovens detidos eram oito e não quatro contrariamente ao que foi inicialmente indicado pela JAAC, Sabino Gomes Júnior, porta-voz desta organização, esclarece que as suas reivindicações não continham “nenhuma menção à violência” e pede que seja garantida a segurança desses jovens “para que possam seguir uma vida normal”.

“Todos os jovens que foram levados já foram soltos. No entanto, nós lamentamos a violência que foi usada pela polícia ou pelos militares, ainda não sabemos explicar bem, porque temos três meninas que foram violentadas. Uma ainda nem sequer consegue andar, foi batida várias vezes nas pernas e ao nível das nádegas. Também temos um dos nossos colegas, que estava a tocar tambor, que partiu o braço. Tem mais uma menina de 16 anos que levou uma bofetada quando já estava lá”, refere Sabino Gomes Júnior.

“Foram levados para a segunda esquadra, foram levados na parte da manhã e foram soltos apenas no final do dia. Confirmamos que todos foram soltos, mas lamentamos e condenamos esse uso da violência nos jovens, incluindo essa menina de 16 anos”, vinca o porta-voz da JAAC ao mencionar igualmente a vandalização da residência de um dos membros da organização. “Nesse caso, estamos a falar do Sidónio que está no secretariado do sector autónomo de Bissau, que é membro da JAAC. Lamentavelmente, informou que a sua casa foi vandalizada por pessoas desconhecida até agora. Foram lá à procura dele, a perguntar por ele. Ele não estava em casa, estava num lugar seguro. Como não o encontraram, vandalizaram a casa dele. Ele está com medo, mas num lugar seguro que não podemos mencionar aqui”, informa o responsável.

Questionado sobre a segurança dos jovens membros da JAAC, o porta-voz da organização refere que “neste momento, todos os colegas não estão a dormir em casa, por precaução”. Ao argumentar que “são jovens guineenses que estão apenas a exprimir aquilo que pensam e acreditam que o país deve seguir no caminho da democracia e pelo respeito da lei e da Constituição da República. Não fizeram nenhuma menção à violência, não foram usadas nenhumas palavras abusivas, ou de agressão, ou de insulto”, Sabino Gomes Júnior pede “que seja garantida a segurança aos jovens e que possam seguir a sua vida normal”.

Relativamente ao resultado da cimeira ontem da CEDEAO durante a qual se apelou ao diálogo, bem como ao respeito pela Constituição, e se recomendou uma investigação transparente dos vários acontecimentos, este membro da JAAC considera que “que a deliberação está a exigir claramente que seja respeitada a Constituição”. Neste sentido, “esperamos que o Presidente da República possa dialogar também com os partidos que foram eleitos pelo povo. Tanto os partidos que estão na governação, como o próprio Presidente da República, foram eleitos pelo povo. Então, têm que dialogar. Não queremos que haja violência, mas queremos que se respeite a Constituição”, preconiza Sabino Gomes Júnior.

Recorde-se que na madrugada do passado dia 1 de Dezembro, registaram-se dois mortos durante confrontos entre forças da guarda nacional e membros do batalhão do Palácio Presidencial, aquando da retirada à força do ministro da Economia e Finanças e do secretário de Estado do Tesouro das celas onde tinham sido colocados em detenção preventiva, depois de terem sido interrogados pelo Ministério Público no âmbito de um processo relacionado com pagamentos a empresários.

Depois destes acontecimentos que qualificou de “tentativa de golpe de Estado”, o Presidente da República decidiu no passado dia 4 de Dezembro dissolver o Parlamento e acusou o Presidente da Assembleia Nacional Popular e líder do PAIGC, o seu mais direto adversário político, Domingos Simões Pereira, de estar por detrás do sucedido. Este último desmentiu essas acusações e apontou, por seu turno, o dedo a Umaro Sissoco Embalo a quem acusou de estar a conduzir um “Golpe de Estado Constitucional”. .

Entretanto, neste fim-de-semana, Domingos Simões Pereira, convocou para esta quarta-feira a sessão plenária do parlamento, apesar da ordem de dissolução do Presidente da República que, por sua vez, reconduziu, esta terça-feira, Geraldo Martins, nas funções de primeiro-ministro. ANG/RFI

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